Parto Traumatizado - Violência Obstétrica - Final

by - dezembro 14, 2018


(continuação da parte II)
...


Já se fazia algum tempo que estava na sala de parto, já tinham feito por diversas vezes a tal “manobra de Kristeller”, daí o médico ficou na sala para ajudá-la a fazer as manobras, e já estava quase morrendo, e o meu filho também.
Já tinha pedido cesárea na hora que eu comecei com dificuldades, mas o médico falou que não era necessário. Depois que o bebê intalou daí ele me disse que se eu não ajudasse meu filho a nascer, ele iria usar a “ferramenta”. Eu falei pra ele, que ele não podia fazer isso. E ele me perguntou:
-Por que não?

Realmente. Não restava mais nada, a não ser o fórceps para tentar salvar ao menos o bebê.
O médico deu aquela “anestesia” que mais parece água. Senti tudo.
Senti os cortes, e a ferramenta entrando. Uma dor horrível!
De tanta dor, nem vi meu filho nascer porque estava com olhos fechados e com a sensação que já estava morrendo. Lembro-me que,  estava com minha cabeça nos braços do Ronaldo, e ele me disse, muito emocionado, que o John já tinha nascido, e eu pedi á ele que cuidasse bem do bebê, que eu estava morrendo.

Mas eu ouvi bem, quando uma enfermeira disse que o bebê precisava da incubadora, mas todas estavam desligadas pelo motivo da reforma.
Alguém teve ideia de colocá-lo num aquecedor perto de um lavatório.
Eu ainda estava na luta, porque daí o médico me disse que seu não fizesse força pra placenta sair, ele iria me levar para cirurgia.
Pode?

Acho que depois de uns 15 ou 20 minutos a placenta saiu. Senti ser toda costurada. Que dor!
Deixei a sala de parto toda costurada (de um lado ao outro), já com um enorme edema e dores horríveis!
Fui para o quarto, e pedi ao meu marido que não descuidasse do bebê.

Quando foi mais a noite, eu estava sozinha, sem o Ronaldo no quarto, chegou uma enfermeira para me ver. Ela retirou do bolso o celular e sem minha autorização, ela fotografou minhas partes íntimas.
Eu estava largada na cama, e não conseguia reagir nem com palavras. Foram duas enfermeiras que me fotografou.
Fotografou sem minha autorização.

Estávamos ali, acuados, fragilizados. O Ronaldo que cuidava do bebê, porque eu não conseguia nem movimentar minhas pernas direito. Imaginem se conseguiríamos nos posicionar para alguma coisa.
Não conseguia amamentar direito, e até a pediatra autorizou complemento para o bebê.
O problema foi que muitas enfermeiras não queriam.
Numa das trocas de plantão eu ouvi uma enfermeira dizer para a outra, que tinha que dar uma sacudida em mim.

Então, veio uma enfermeira e disse que me ajudaria. Essa que recebeu a missão de dar a tal “sacudida”.
Ela sentou e começou a apertar meu peito, e ao invés de sair leite, era só dor, porque eu nem leite estava tendo, quase. Vi que ela começou usar daquela “técnica” para me pressionar a amamentar meu filho.
Mas eu não estava amamentando-o, era por puras dores. Dores horríveis!
Sentia dores até no respirar.
Acabei surtando com aquela enfermeira e comecei a gritar no quarto.
Resumindo:

Chegaram até desentupir pia, aquela pia, que estava ao lado da tal incubadora que improvisaram para o John. Chegou a ter esgoto parado no chão e meu filho do lado.
Sai daquela maternidade (Instituto Moriah de Votorantim) ferida na carne e na alma.
E meu filho com marcas no rostinho do fórceps.

Sentia-me culpada o tempo todo. Acho que essa culpa não me deixava também reagir. Porque minha vontade no íntimo era de chamar a polícia, para confiscarem aqueles malditos celulares daquelas enfermeiras.

Usei fraldas a quarentena toda!

Hoje, já estou melhor, mas ainda recupero das marcas, feridas e das dores que ainda sinto.
Foi assim que meu pequeno John Lorenzo, nasceu de 38 semanas.

Ah! E minha Catherine (filha de patinhas), virou estrelinha dois dias após eu chegar da maternidade. Só me deixou com saudades.


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4 Comentários

  1. Estou arrasada com seu relato =(

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  2. Yolanda Santos20.12.18

    Amiga, que Deus te abençoe e supere todo esse trauma. Bjs.

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  3. Amiga, sinto muito, imagino sua dor e sofrimento ter passado por tudo isso quando na verdade deveria ser um dos momentos mais lindos da sua vida. Deus te abençoe e a sua família. Bjs.

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  4. Anônimo10.2.19

    Sinto muito! Só de pensar, me dói a alma!
    Gabi Silva

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